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CADA PACOTE CRIA MAIS ALÍQUOTAS DIFERENCIADAS, O QUE MOBILIZA LOBBIES PARA DISPUTAR NOVAS VANTAGENS QUANDO AS MEDIDAS SÃO VOTADAS NO CONGRESSO GUSTAVO PATU DE BRASÍLIA
Os sucessivos pacotes de desoneração e incentivos anunciados pela
administração petista não tiveram impacto visível na arrecadação, mas
contribuíram para tornar mais confusa a legislação tributária e menos
transparentes as contas do governo.
Em 2005, quando foi editada a pioneira "MP do Bem", a receita total da
União com impostos e contribuições equivalia a 21,2% do Produto Interno
Bruto. Dezenas de bilhões de reais em prometidas renúncias fiscais
depois, a mesma receita chegou a 21,4% do PIB em 2011.
E o crescimento não foi maior porque, entre uma cifra e outra, foi derrubada, contra a vontade do Planalto, a cobrança da CPMF.
Apenas oito meses atrás, o governo Dilma Rousseff anunciou R$ 24,5
bilhões em desonerações para 2011 e 2012. O Tesouro contabilizou alta da
arrecadação no ano passado e espera novo aumento neste ano.
Em outras palavras, se alguns setores recebem alívios imediatos, a
carga tributária total -a maior entre os emergentes e tida como um dos
maiores obstáculos à indústria e ao investimento- continua do mesmo
tamanho.
Estimativas de renúncia fiscal são feitas a partir de imprecisões do
cálculo econômico e conveniências do cálculo político. No cotidiano,
medidas são tomadas para preservar a receita: já está em pauta, por
exemplo, mais imposto sobre bebidas.
Tais manobras aprofundam a complexidade do sistema nacional de impostos
e contribuições, especialmente nos incidentes sobre a produção e o
consumo, caso de PIS, Cofins e IPI.
Cada pacote de desoneração cria mais alíquotas diferenciadas e regimes
especiais para esses tributos, o que mobiliza lobbies empresariais para
disputar novas vantagens quando as medidas são votadas no Congresso.
Do lado da despesa pública, a maior inovação foi o programa, lançado
durante a crise de 2009, que injeta recursos do Tesouro Nacional no
BNDES -a um custo desconhecido até hoje.
Ontem, foram anunciados mais R$ 6,5 bilhões em subsídios oficiais para
as operações do banco de fomento. Nos últimos dois anos haviam sido
programados gastos de R$ 4,55 bilhões, dos quais só R$ 429 milhões foram
efetivamente desembolsados.
A conta restante foi adiada para os anos seguintes, o que permitiu o cumprimento da meta fiscal de 2011.
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| Fonte: Folha de S.Paulo |
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Série de medidas deixa legislação tributária cada vez mais confusa
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